PELADA

Voltando da pelada de quarta à noite na praia, ali na altura da Figueiredo Magalhães, tenta tirar toda a areia do corpo. Inútil, quando justamente é nas suas costas onde ficou mais sujo. Pensa que pouco importa, no sábado vai levar o carro para lavar mesmo, passa o aspirador portátil quando chegar em casa só para poder ir trabalhar amanhã sem cheiro de areia no corpo. Caminha em direção ao carro, parado perto da Santa Clara, quase em frente aquele restaurante de turista que atende mal mas vem com pratos bem fartos, ideal para se dividir com mais dois, coisa que quase não acontece com ele, normalmente está sozinho ou só com os amigos que só fazem beber. Então voltava para o carro, ia já enfiando a chave na porta quando o guardador surge do nada cobrando a estadia. Era manco, usava muletas e tinha o rosto cansado mais da vida que da própria idade. Esperto que só cobrava aquilo que o pobre incauto já havia pago.
– O café! O café! Tomei conta aí.
– Amigo, vai me desculpar mas tu vai ter que cobrar do teu parceiro aí mais cedo.
– Dá uma força aí, chefia?
– Fala com teu parceiro, já acertei mais cedo.
– Pô, aí enfraquece…
– Comer minha mãe todo mundo quer, dar pro meu pai nem fodendo!
E sai calmamente sem remorso por não ter alimentado a mendigagem alheia, mesmo de um pobre mas esperto manco.

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