MC LANCHE FELIZ

Depois de suar no centro da cidade, volto nas confortáveis acomodações do Integração Siqueira Campos / Gávea. Desço na General Osório e começar a sua por todos os poros de novo. Maldito Rio de Janeiro, o Sol só aparece quando a gente está trabalhando. Eu nunca lá gostei mesmo da luz do dia, quisera morar na Sibéria, aquilo sim é que é vida. Dias e dias enchendo a cara de vodka, caçando animais silvestres na Tundra gelada e dormindo sob peles de urso.
Para numa lanchonete de esquina, coisa de turista, arrumadinha que só. Optei por algo menos rápido que um joelho e com mais sustância que uma salada pura. Sai um filé mignon no pão árabe, batata frita e tomate com cebola e tímidas folhas de alface. Quatro bisnaquinhas de ketchup e uma de mostarda depois, em menos de cinco minutos o prato já tinha ido para o bucho.
Corre, acende cigarro, quase tropeça no vendedor de lupas e cai de cara na bunda velha de uma dona com seu poodle marrom, consigo chegar na porta do meu prédio.
Um grupo de empresários e umas moças arrumadas conversam exatamente na porta. Até estes putos sairem dali dá tempo de terminar um cigarro inteiro, coisa rara ultimamente. Reparo que é algo parecido com francês. Sim, de fato é francês. Tento entender alguma coisa em vão. As moças me parecem agora secretárias de executivos babões e gordos, aquele tipinho mesmo. Meio gostosa, meio subserviente e completamente burra. Hilariante as cabecinhas balançando fingindo entender perfeitamente o que os gringos dizem.
De repente sinto uma vontade de peidar. E agora? Solto ou não solto. Se vai feder não é problema, pior é se fizer barulho – a gente nunca sabe. Minhas calças apertadas garantiriam a privacidade do flato. Foda-se o cheiro, afinal, são franceses. Apertado, lento e mortal. Apago o cigarro, dou uma tossida para passar pela porta – porque os putos ainda estavam bem no meio do caminho.
– Excuse me…
– Oh, sorry.
– Ok, seu francesinho velho de merda.
– Oh.
Entro triunfante no hall do prédio, uma lufada forte do ar condicionado central me refresca e espanta o peido que ainda transpira pela roupa. Ah, que dia feliz.

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