MUSSA, O MITO

De todos os grandes gênios da nossa atualidade sempre se destacam intelectuais, escritores, pintores, cientistas e toda sorte de personalidade que conseguiu pelos seus próprios méritos mudar se não o mundo, mas o microcosmo que o cercava, e por conseguinte a visão de muitas pessoas sobre a nossa existência. Alguns seres humanos nunca foram conhecidos pelas suas obras, ações ou beleza. Foram atitudes que determinaram seu caráter, a personalidade única e determinante para mostrar a pessoa que se tornou imortalizada ao longo dos anos.

É com uma memória entorpecida de saudade que trago a tona não apenas um homem, mas quase uma ideologia, um jeito de ser imitado por muito mas nunca superado pelo seu mais ilustre representante. Antônio Carlos Bernardes Gomes (Rio de Janeiro, 7 de abril de 1941 – São Paulo, 29 de julho de 1994), mais conhecido como Mussum, foi um músico e humorista brasileiro de sucesso, membro do grupo humorístico Os Trapalhões.

Mussum teve origem humilde, nos morros cariocas. Estudou durante nove anos num colégio interno, onde obteve o diploma de ajustador mecânico. Pertenceu às forças armadas durante oito anos, ao mesmo tempo em que aproveitava para participar na Caravana Cultural de Música Brasileira de Carlos Machado. Foi músico e sambista, e fez parte do grupo Os Originais do Samba, onde chegou a atingir certa fama e viajou por diversos países. Era conhecido nesta época como “Mumú da Mangueira”. Foi então convidado para participar do show de televisão Os Trapalhões.

De início recusou o convite, justificando sua recusa com a afirmação de que pintar a cara, como é costume fazer aos atores, não era coisa de homem. Em 1969, entretanto, o amigo Manfried Santanna (Dedé Santana) conseguiu convencê-lo, e Mussum passou a integrar o programa que terminaria tornando-o famoso. Apesar de negro, nunca discriminado como tal. Mesmo sendo hoje politicamente incorreto, o malandro que só queria beber cachaça o dia inteiro, se dar bem e cair no samba fez fama como coadjuvante nas aventuras do quarteto, mas protagonizou muitas histórias tão bem quanto se estivesse em conjunto.

Com o tempo, novos personagens começaram a aparecer junto de Didi, Dedé, Zacarias e claro, Mussum. Tião Macalé foi outro artista que ganhou espaço nas esquetes dominicais que tanto divertiram toda uma geração. Embora acredite-se que o cérebro do grupo fosse Renato Aragão, Mussum trazia a tona muito do que muitos brasileiros tinham, gente de verdade, com raras alegrias e muita tristeza. O “mé” era uma metáfora de alegria e fuga dos problemas do cotidiano.

Apesar do “paraíba” – como Dedé Santanta se referia ao amigo (na época) Didi – sempre se dar bem, era justamente aquele negro barrigudo e com um linguajar só seu, colocando “is” ou “évis” a palavras arbritrárias e seu inseparável mé o mais carismático do quarteto. Hoje em dia se idolatra personagens mexicanos, desenhos animados violentos, heróis que voam e soltam teias, crianças com poderes especiais ou padrinhos mágicos, seres que saem de bolas e outras aberrações matutinas. No meu tempo, era um crioulo sem vergonha que me matava de rir e até hoje deixa saudade. Triste saber que a nossa memória é tão curta e pouco se valoriza a cultura nacional.

Mussum foi apenas um, mas antes e com ele haviam Grande Otelo, Mazzaropi, Grande Otelo, Costinha e tantos outros, infelizmente guardados em algumas raras páginas na internet, folhetins e na recordação de uma geração rara, hoje beirando mais de trinta e sem memória. Quando se glorificava tanto os anos oitenta nos lembramos apenas das músicas, gel no cabelo, péssimo gosto para roupas e toda uma gama de bizarrices em geral. Nossos heróis, bem sempre o serão, mas nunca mais nos farão rir tanto de novo.

Mussum faleceu em 1994, não resistindo a um transplante de coração, e foi sepultado em São Paulo. Deixou um legado de 27 filmes com o Os Trapalhões, além de mais de vinte anos de participações televisivas.

Psit o escambau! Gostava mesmo era do cacilds! E se não gostou vai tomar no seu forévis!

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2 pensamentos sobre “MUSSA, O MITO

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