ESQUEÇA O TEXTO, OLHA QUE COFRINHO!

Uma história antiga, de um dia qualquer…

Como de costume, perco a hora, ou dormi demais, me distraí com alguma coisa no caminho de casa para o trabalho ou foi a mais completa incapacidade de se chegar cedo para o serviço. Tento pensar em algo agradável e só me lembro de ter levantado de madrugada louco para ir ao banheiro urinar. Cheguei a tempo, quase fiz nas calças. Preciso me lembra de deixar mais roupas de dormir na casa dela.

Não saí para almoçar hoje, estou sem fome. Fui na rua comprar coca coca, só para não dizer que vi o sol. A parte do dia compreendida entre pegar o ônibus para o escritório e chegar ao trabalho não conta. Óculos escuros, vista ainda embassada e a mais completa distração sobre o que tem à minha volta embora algumas coisas realmente acabam me chamando atenção.

Não sobrou muito tempo do almoço agora, meu chefe começou a comentar sobre o jogo de ontem do real madrid e acabei me distraindo mais uma vez, apesar de ter sido um papo agradável. Passei a gostar mais de futebol depois que vim morar no rio de janeiro. Antes eu não gostava nada, mal tinha um time por quem torcer.

Mais uma vez perdi o fio da meada então vou ao óbvio só para variar. Que os óculos escuros são imprecindíveis para o ser humano, aprendi isso com uma grande amiga, não por coincidência fomos namorados, e no meio do caminho não sei bem o que levou uma coisa a outra ou isso ou aquilo. Bem, faz tempo que não nos falamos e não cabe aqui ficar contando também certas intimidades. Nãõ, não, não sou daqueles que odeiam suas exnamoradas, mas minha atual namorada não ia gostar nada de me ver gastando mais do que três linhas para falar da ex. Não se preocupe, querida, este corpanzil só tem uma dona e nem pretendo reatar contato com ninguém, elas estão felizes onde estão, onde quer que seja, espero.

Foi inevitável. Sempre tento correr ao sair de casa para não dar a oportunidade de vizinho algum ver minha pessoa. Continuo dando bom dia, boa tarde e boa noite, na maior parte das vezes são os porteiros com quem encontro mais. Engraçado que pouco conversamos, um ou outro que acabo parando mais na portaria e acabo comentando do jogo de ontem, fulando que fez isso assim assado e tudo mais. Hoje, chegando no meu prédio, um dos porteiros que ficam na entrada de serviço me abordou para pedir cinco reais emprestado. Sem problema, fosse um vagabundo na rua perto do bar justamente na hora em que fui comprar minhas revistinhas na banca de jornal provavelmente eu teria negado. Apesar da pressa conversamos rapidamente, ele se justificando sobre amanhã ou depois receber o salário, ia me pagar. Sem delongas disse para não se preocupar, não ia ser cinco reais na carteira a me fazer falta. Tudo bem se o porteiro pediu para tomar uma cachaça, pelo menos para mim ele faz por merecer, afinal, nunca o encontrei bêbado no serviço e sempre quando precisei de algum favor ele estava a postos. Acho que funciona assim.

Agora pouco me ligou uma amiga da noitada. Mais amiga da minha namorada, pois ela ficava na chapelaria de uma boate que costumávamos ir. Ríamos muito quando chegávamos lá, pois o italiano, dono da boate, acabava relutando muito mas sempre liberava a entrada da gente. Somos chatos, mas a cara de pau é toda da minha querida. Ela e essa amiga, trocamos telefone um dia, ficamos sabendo que ela ia sair da boate, uns dias depois tomamos uma cerveja com ela e o marido, foi bem agradável. Pena que a gente sempre estava meio alto quando encontrava com essas e outras pessoas. Queria me lembrar de todo mundo que conheci nessas noitadas. Sempre acontece da gente sair e pessoas nos abordarem na noite e nada de lembrar de onde nos conhecemos. Desculpe, mas acho que fui até simpático no telefone. Prometemos combinar esse chope.

Peguei uma mania de ficar anotando coisas sem sentido. Sem sentido para você talvez, para mim ajuda bastante na hora de lembrar, sabe, das coisas. Devo ter vários caderninhos de rascunhos espalhados por aí. Alguns tive o cuidado de guardar para transcrever para o computador, outros já digitei o que interessava e uns tantos outros se perderam no esquecimento.

A Coca Cola que comprei já acabou. Aliviado, solto sem fazer ruído um arroto entalado na garganta.

Por que não consigo copiar minhas músicas do joy division para o meu computador? Droga, tenho que voltar ao trabalho agora. Ontem foi muito divertido, há muito tempo não ria tanto com a turma. Nosso amigo hospitalizado estima ainda cuidado, mas será brevemente operado. Diz que sonha com água, desde quinta feira está alimentado por soro. Maldita vesícula. O porre de volta será uma festa só, mas antes vamos ter que esperar um amigo voltar da colômbia e claro, uns últimos acertos antes de publicar o filme na internet.

Vou comprar um cd do Cachorro Grande. O Dead Fish ainda só por mp3, mas o show foi muito bom. Amanhã publico as fotos.

Isso? Boteco Taco, um dia desse, tsc, tsc…

Deu mole foi pra net.

Mais tarde… (texto novo, escrevi ao longo do dia) acabei de lembrar que hoje fiz a barba. Mal e porcamente. Toda segunda feira, pego aquela lâmina velha – semana que vem eu troco – e passo na cara sem creme nem água. Bato na pia para tirar os pêlos e mando ver de novo. Coisa de homem, nada de frescura. Ficar gastando dinheiro com espuma, gel, qualquer merda para passar na cara e manter a pele lisa e cheirosa. Conheci um pracinha que serviu na segunda guerra e até hoje ele ainda usa álcool depois de fazer barba. Arde um bocado, mas limpa e resolve o problema. Vou experimentar dia desses, quem sabe eu me dou conta que já não se faz cabra macho como antigamente.

“acho que as pessoas que têm cadernos e anotam seus pensamentos são umas cretinas. Só estou fazendo isso porque alguém sugeriu que eu fizesse. Como você vê, não sou nem mesmo um cretino original. Mas isso, de alguma forma, faz com que seja mais fácil. Só deixo rolar. Como uma bosta quente ladeira abaixo.” – trecho de o capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio, charles bukowski. Li este trecho agora há pouco e percebi que também sou um cretino. De repente me sinto bem em ser um cretino, mas com consciência disto!

Café não sai da garrafa térmica. Forço um pouco mais e só “cospe”. Abro a maldita e percebo que está cheia. Atarracho a tampa novamente e tento ordenhar o bendito líquido preto que costuma sair dali. O copo de plástico enche, estou satisfeito, posso voltar para minha sala e trabalhar relativamente em paz. Quando me viro para a porta dou de cara com meu chefe, quase derrubo o copo cheio de café na camisa dele. Telefone toca mais umas vezes e resolvo atender. Um amigo, faz trabalhos com a gente aqui, um bonachão, parece o papai noel – se ele ler isso um dia vai me bater. O papo acaba parando em futebol, claro, a gente é um pouco simplório nesse assunto quando não estamos tratando de trabalho. Mais um motoqueiro se acidentou. Conta sobre um outro, que já estava de licença porque havia quebrado o braço, e foi justamente o cara que o substituiu a se acidentar agora. Isso que o anterior havia voltado há seis meses de um outro acidente onde o carro passou por cima dele em um cruzamento. Rir é inevitável.

Percebo que isto tudo aqui não é só um momento de inspiração, mas são umas poucas das milhares coisas que vivo esquecendo, preciso dizer, escrever, reler, me lembrar, dar conta de tudo para não me perder. E enlouquecer. Sanidade, quem precisa disto? E o dia mal chegou na metade, de repente continuo. Só de pensar que agora tenho quatro fotologs para atualizar, uffs!!!

O chefe saiu, me deixou aqui na sala com nada para fazer. Levou o estagiário que está rodando a empresa para conhecer uma gráfica. Vou para a varanda relaxar um pouco, essas pernas que doem de tanto ficar sentado o dia inteiro. Pé direito ainda dói nos dias mais frios e quando forço um pouco para o lado. É aonde destendi o tendão, quase rompi um dia correndo atrás de um ônibus. Nunca mais corri para pegar o ônibus. Agora espero fungando e bufando quando passa a a alguns centímetros, mas ficar com a perna engessada de novo por dois meses nunca mais.

Muito contrariado vou ao segundo andar deixar alguns papéis e materiais que fizemos com o atendimento da agência. No caminho cruzo com o dono aqui da empresa. Ele está, daquele jeito que a gente já conhece, dando um esporro na secretária. Acabo concordando com ele:
– Mulher tem que tratar assim!
– É, senão ela cria marra!
– (rindo) Não tô dizendo…

Volto ao que estava fazendo e de lado olho para a secretária que faz de tudo para evitar mais uma risada. Na volta eu iria dizer a ela que chefe é chefe, até se estiver errado a gente tem que concordar e rir da piada. Você não concordaria? 18:20, dou por encerrada minha contribuição com a economia nacional.

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