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SONHOU QUE ERA UM LANTERNA VERDE, NÃO CHUTOU A MACUMBA E TINHA UM CACHORRO

Passou o fim de semana fingindo não ser o Lanterna Verde. Nos intervalos em que o anel energético estava carregando dentro de um copo de água seguia seu dia naturalmente como se nada estivesse acontecendo. Viu aquele borrão vermelho e azul cortando o céu e foi investigar sobre o que aquele extraterrestre fazia ali. Brigaram como de costume mas o filho de Krypton levou a pior.

Voltou para casa e terminou de fazer aquele camarão pro almoço de domingo. Já praticamente no fim do seu domingo encarou uma estrada cheia de barreiras de fogo e um cachorro muito carente no banco do carona. Parou numa vila e percebeu que muitos conhecidos haviam parado ali também para comer algo e beber um café. Resolveu perguntar o que houve e descobriu que haviam pontos de macumba, alagamentos e labaredas de fumaça no caminho, por isso não havia como seguir por aquela estrada. Obviamente não se lembrava do anel da tropa neste momento.

Encontrou uma mãe escrevendo uma carta para a filha, Clara. Na carta dizia que faria tudo que pudesse para ajudá-la e estava com muitas saudades dela. Era uma morena de cabelos longos e rosto angelical. Sua filha deveria ser tão bonita quanto a mãe. Com dedos trêmulos, escrevia com uma caneta que falhava sobre o papel. Pediu ajuda para escrever e sacou outra caneta que tinha por acaso no bolso.
– Existem coisas que sua filha precisa aprender sozinha se quiser que ela cresça.
– Eu amo ela.
– Seu amor é óbvio, mas não vai poder protegê-la para sempre.
– Preciso fazer isso, sou mãe.
– Experimente deixar ela demonstrar este amor sozinha. Você não precisa pedir todos os dias.
– Preciso…

Terminou a carta que a mãe de Clara ditou para ele. Resolveu pegar o carro e enfrentar a estrada. Deu carona para dois policiais que tinham o carro quebrado e não conseguiam falar com a central. Pensou na sua própria mãe enquanto tagarelavam algo sobre futebol e o prefeito da cidade. Não ia assistir o jogo ou qualquer outro evento esportivo. Precisava praticar algum exercício, mas antes precisava chegar ao seu destino para se lembrar se havia se esquecido de alguma coisa.

Acordou e fez o café. Uma amiga perguntou sobre camarão no dia anterior. Daqui a pouco seria dia das mães. Acha macumba engraçado mas respeita. Só não entendeu a coisa toda do Lanterna Verde. O resto fez todo sentido.

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