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A GORDA QUE PEDE ADOÇANTE, MAS ESPERA QUE A TALVEZ HIPOCRISIA SEJA MAIOR AINDA. ACOMPANHEM…

Um belo fim de tarde, saindo para fazer um lanche porque sabe que o expediente vai se estender além do horário, vai até aquela lanchonete sem vergonha que tem na esquina. As opções são poucas e você preza pelo tempo porque precisa voltar logo para sua mesa então vai encarar aquele suco de laranja ou limonada suíça mesmo com mixto quente.

A televisão no canto do balcão discute sobre o jogo do Vasco com um time de comentaristas exemplar de qualquer canal e as pessoas naturalmente param ali para comer no caminho de casa ou coisa parecida. Elas são invisíveis até que interajam contigo ou algo desperte sua curiosidade sobre a vida alheia.

– Um sanduiche de peito de peru sem salada, por favor.
– Pois não.
– E uma vitamina de banana também.
– É pra já.

Até aí tudo bem, porque isso não me interessa, poderia pedir um joelho de porco na farinha que não ia fazer a menor diferença na minha vida. Certo? Errado. A pouca atenção para a displicência que a atendente deu para o meu mixto quente esfriando do outro lado do balcão foi pro ralo quando a gorda pediu o peito de peru sem salada. Eu ouvi bem claro “sem salada”. E meu mixto quente esfriando.

– Com licença, aquele é meu mixto quente?
– É sim. Desculpe…
– Ok…

Eis que vem o peito de peru da gorda e…
– Eu pedi sem salada!
– Ah…. você quer que eu tire a salada?
Não moça, ela quer que você pegue essa alface com cebola e tomate e passe na bunda. Depois sirva com molho barbecue para tirar o amargo!!!!
– Por favor, (já meio puta da vida), eu pedi sem salada.
– Já vou trazer.

Aí imaginamos o chapeiro do outro lado tirando a salada da gorda com todo cuidado e cuspindo no peito de peru com queijo minas, é claro. A atendente volta com um sorriso amarelo e logo já é cobrada de novo.
– E minha vitamina de banana?
– Já está saindo…

Terminei calmamente meu mixto quente e enrolei ao máximo para beber o resto do suco de laranja para o capítulo final desta simplória cena do cotidiano na praia de botafogo.
– Aqui está.
– Você tem adoçante?
– Sim.

Adoçante. A gorda no seu vestidinho que mal lhe cobriam as coxas pediu um adoçante. Um adoçante para uma vitamina de banana sem salada.

O problema não é abrir mão de uma salada nem pedir adoçante e tão pouco ser gorda. O problema é justamente que nós julgamos demais as pessoas a nossa volta e temos essa necessidade mórbida de contar isso para todo mundo. É acreditar que nossa opinião é realmente importante quando na verdade deveríamos nos esforçar nas nossas próprias vidas, seja em benefício próprio ou do próximo. Mas nem o lixo a gente coloca para fora e acaba deixando para outra pessoa fazer ou prefere mandar um email a levantar um pouco a bunda da cadeira e ir falar pessoalmente sobre aquele trabalho. Compartilha cachorrinho remelento para adoção, mas nunca teve um animal em casa e nega fazer uma compra pro pedinte na porta do supermercado. Vai votar em qualquer um porque seu voto não faz diferença ou faz militância para alguém que vai lhe prestar algum favor.

Acho que deu para entender onde quero chegar?

Não?

Então você também pede café com adoçante que eu sei.

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