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QUIMERAS, ZERØ E O QUE RESTOU DA SUA MEMÓRIA DOS ANOS OITENTA PODE ESTAR SE PERDENDO COM O TEMPO

Se acaso for buscar no Google algo sobre a banda ZERØ é bem provável que enontrar mais referências àquela bandinha de bunda mole chamada NX Zero, uma tentativa de Capital Inicial que não deu certo musicalmente e é erroneamente considerada como rock. Ao contrário do que o conceito pelo de guitarras, ritmo, letra e visual que uma banda de rock de verdade deve se moldar, o ZERØ que conhecemos existe na memória de uns raros que não se deterioraram com o tempo e abnegados usuário de redes sociais que mantém vivo canais com músicas daquela época. Registros resgatados sabe lá como, mas que graças a eles podemos reviver alguns velhos clássicos desta época onde a efervecência criativa do brasileiro deu seu maior salto.
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Eram dezenas de bandas surgindo de todos os lados do país com estilos próprios, muita personalidade e qualidade sonora. O ZERØ era um deles. A música título deste post é fruto do trabalho de Guilherme Isnard e outros apaixonados emplacaram outros sucessos como “Agora eu sei”, “Formosa”, “A luta e o prazer” dentre outros hits que tocaram nas rádios e passavam nos domingos do Fantástico.

Para quem não se lembra vale refrescar a memória que este insone escriba resolveu reunir num mesmo lugar.

Formosa

A Luta e o Prazer

Mas antes de continuar o cerne da questão, vamos à biografia da banda. O texto foi extraído do site da banda – sim, eles tem um site!

O ZERØ surge em 1983, quando o designer e vocalista Guilherme Isnard (ex-Voluntários da Pátria) une-se aos arquitetos Beto Birger (baixo), Claudio Souza (bateria), Gilles Eduar (sax), Fabio Golfetti e Nelson Coelho (guitarras). Essa formação dura dois anos e rende, além de uma participação na coletânea “Os Intocáveis” da Deck Discos e no LP “Remota Batucada” de May East (na gravação de “Caim e Abel”), a gravação do compacto “Heróis – 100% Paixão” de 1984 pela extinta CBS (atual Sony Music),

Em 1985 Guilherme reestrutura a banda com Eduardo Amarante (ex-Agentss e Azul 29) na guitarra, Ricky Villas-Boas (ex-Joe Euthanázia) no baixo, Freddy Haiat (ex-Degradée) nos teclados e Athos Costa (ex-Tan-Tan Club) na bateria. Em 1986 lançam pela EMI/Odeon o LP “Passos no Escuro”, que estoura as músicas “Agora eu Sei” e “Formosa” nas rádios de todo o Brasil conferindo ao grupo um Disco de Ouro por mais de 200 mil cópias vendidas.

1987 é o ano de “Carne Humana” com os hits “Quimeras” e “A Luta e o Prazer” e mudança na formação: sai Athos e entra Malcolm Oakley (ex-Azul 29 e Voga) na bateria. Essa boa fase culmina na abertura dos shows da cantora Tina Turner no estádio do Pacaembu/SP e no Maracanã/RJ, para um público de mais de 300 mil pessoas. Mas em 1989 surpreendentemente e sem brigas, o ZERØ encerra as atividades com shows no Dama Xoc/SP e no Circo Voador/RJ que foi gravado ao vivo para o especial de TV “Manchete Shopping Show” da rede Manchete. O grupo ainda faz algumas apresentações para se despedir dos fãs excursionando pelo interior do país até 1992.

Paralelamente Guilherme Isnard monta a cover big band “Roxy Nights” em homenagem a Brian Ferry e Roxy Music, encarna um crooner inspirado em Sinatra, Bing Crosby e Nat King Cole para cantar standards da música americana dos anos ‘50s e ‘60s e expande seus limites dividindo o palco do SESC Pompéia/SP com Miltinho, o mestre do samba sincopado.

Em 1992 volta a morar no Rio de Janeiro e após o show solo “Rio 360°” no terraço da torre do Rio Sul, se afasta das atividades artísticas até 1996, quando retorna no espetáculo “Cassino Tropical” em homenagem ao sambista e compositor Luís Antonio. Em 1997 faz diversas apresentações do seu trabalho solo no People, Mistura Fina e Hipódromo Up (RJ). De 1998 a 99 interpreta o flautista e compositor Joaquim Antônio Callado (inventor do chorinho) no mega musical “O Abre Alas”, sobre a vida da pianista e compositora Chiquinha Gonzaga, sucesso nos teatros de todo Brasil.

Em 1999, comemorando seus 15 anos, o ZERØ faz algumas apresentações no Rio e em São Paulo. Para esse show Guilherme reúne a formação clássica, com Eduardo, Ricky e Freddy. Essas apresentações marcam o retorno definitivo da banda à estrada.

Com tanta movimentação e receptividade do público, o ZERØ grava em 2000 o CD “Electro Acústico”, que revisita os sucessos da banda acrescido de quatro músicas inéditas. Essa gravação além dos membros da formação clássica, conta com os novatos Sérgio Naciffe – bateria e JP Mendonça – produção e teclados. Esse CD independente, sem videoclip, marketing ou divulgação, esgota 10.000 cópias só no boca-a-boca dos fãs. Esse sucesso estimula a EMI a lançar em 2003 o CD “ZERØ Obra Completa” (também esgotado) com os dois primeiros LPs compilados e remasterizados. Paralelamente Renato Donisete, com a ajuda de Fábio Golfetti, edita a raridade “Dias Melhores” pela Voice Print, com os primeiras demos da banda, participações e o primeiro compacto. Em 2004 e 2005 Guilherme Isnard participa de vários shows e eventos de revival ‘80s ao lado dos colegas Leo Jaime, Ritchie, Leoni, Kid Vinil e Paulo Ricardo entre outros.

A atual formação do ZERØ, que tem Yan França na guitarra, Jorge Pescara no baixo e Vitor Vidaut na bateria, está em turnê por todo o país e acaba de gravar o CD “Quinto Elemento” produzido por Nilo Romero, o primeiro só de inéditas em 18 anos, com previsão de lançamento em 2006.

E o último registro que encontrei foi justamente este e a faixa Quimeras hospedada na conta pessoal de Guilherme Isnard. O triste é saber que muita gente só vai se lembrar desta banda formidável por conta do crossover que fez com Paulo Ricardo do RPM. Convenhamos, o Paulo Ricardo fez duas coisas sensacionais na vida. Comer a Luciana Vendramini e cantar “Agora eu sei” com Guilherme Isnard. Sim, este escriba que vos fala tem um pouco de rancor com a família do Paulo Ricardo.
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O Betinho vivia tirando onda com a galera no bairro de que ele e seus irmãos eram primos do homem mais sexy daqueles anos onde nossa sexualidade e caráter foram moldados. Se hoje este homem aqui abnegado é alguém bem resolvido com mulher e tem a piromba dura, houve um tempo em que latíamos no quintal para economizar cachorro e não pegávamos nem gripe no bairro onde morava. Betinho era o terror das menininhas, as festinhas a mulherada disputava dançar com ele aos tapas e aquele mina nunca deu mole pra aquele barrigudinho com cabelo de cuia parecendo um índio retardado. De fato o Betinho era primo do Paulo Ricardo. Aquele poster autografado afundou todas as esperanças do Gutinho molhar a geripoca em alguém da vizinhança por algum tempo.

Agora Eu Sei

Mas aí este autor descobriu outras maneiras de botar a piça pra cantar, mesmo que sem querer, quando aprendeu a andar de skate e sair do seu bairro para outras incursões pela cidade. Acreditem ou não, naquele tempo, skatistas eram tidos como marginais e o conhecimento de música e tendências que tínhamos devido ao esporte se tornou um diferencial competitivo bem interessante na arte do flerte. Também pudera, olha como eu era gostoso paca:
gutosenra_14anos

Isso foi aos 14 anos. A coisa melhora muito aos 16 anos, acompanhem.
gutosenra_16anos

Mas voltamos ao que de fato importa. Com vocês uma entrevista com Marcelo Nova no programa Agora é Tarde onde ele dá uma pequena pincelada nos anos 80 contradizendo tudo o que acabei de escrever – exceto a parte onde eu e Betinho somos hoje e sempre grandes amigos e casados com mulheres sensacionais, embora a gente já tenha caído no braço uma vez e foi épico, lembra Betinho?

É como Marceleza falou, falta um pouco de inteligência e culhões:
– Tudo hoje é muito supérfulo e irrelevante…

Ainda bem que temos o Ratos de Porão ativo, firme e de piroca dura cuspindo na cara de todo mundo.

Acho que ainda tem jeito. Me esqueci completamente sobre o que eu ia dizer dos 80…

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